O dia foi 14 de setembro, domingo, uma manhã fria nesta cidade de tempo tão instável. Nenhuma estrela visível apontava para aquele hospital-maternidade, não encontrei reis magos no caminho, nem vi pastores se acercando. Ao invés da gruta, um centro cirúrgico, como leito não uma manjedoura e sim um moderno bercinho de acrílico.
Mas o milagre, bilhões de vezes reproduzido, aconteceu novamente e outro menininho veio ao mundo, carregado de todas as esperanças e cercado de todo amor possível de nossos corações.
Na véspera, como que por encanto, a mamãe Úli se fez calma por ter aceitado aquilo que a vida lhe apontava e, com a serenidade, se fez bonita e seu sorriso que andava sumido reapareceu. A família, reunida e relaxada, se fartou de sonhos - estes literais, recheados de goiabada e doce de leite feitos pela Lia - e conversas fiadas. Assim, de mansinho, o menino deu o recado do que queria receber na sua chegada: só tranquilidade!
Na hora 'H' a cegonha teve que dar uma mãozinha porque tia natureza deu uma falhada. Não importa, pela barriga da mamãe o bebê saiu ainda mais pertinho do seu coração e ao alcance das mãos do papai. Theo nasceu lindo, sadio, um presente da Vida embrulhado em luzes.
Meu coração de avó bateu forte com uma felicidade de rainha: naquele momento minha fortuna dobrara.
Podem dizer que sou ousada, mas eu quero tudo do melhor para ele. Eu quero manhãs de céu azul e tardes de nuvens rosas para seus olhos, quero ar puro e água limpa para seus pulmões, quero silêncio dos motores para o seu sono, quero leite farto de sua mãe para que ele tenha confiança, quero vê-lo aconchegado em braços firmes, aquecido em seu quarto de ovelhinhas e quero sombra fresca para seus passeios. E mais tarde, os mais puros frutos da terra. Quero também vizinhos prestativos e amigos carinhosos. Parentes que o aceitem exatamente como ele se fizer ao longo dos anos. Professores cuidadosos. Que seus pais sejam incondicionalmente amorosos e extremamente responsáveis. Eu quero que ele seja, simplesmente, feliz!
E nem me lembrem que pode não ser 'bem assim' - eu sei, já vi que a vida não poupa nem as crianças de seu cotidiano - mas, por favor, tenham o máximo de cuidado com o que falam e fazem na frente deste menino porque eu, como avó, estarei vigiando o mundo encantado dos sonhos em que ele vive.
Se os moinhos de vento soprarem, podem me chamar de "Sancho Pança" que eu sorrirei com orgulho - este é um papel que gosto de desempenhar - porque agora defendo o que vê aquele ao meu lado, Pedrinho, meu pequeno "Dom Quixote"! Ele sabe o que seu 'primo-irmão' deseja e precisa.
Super heróis, fadas e duendes na defesa da fantasia, contem comigo: sempre alerta,
Vovó Ana!!
sábado, 20 de setembro de 2008
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2 comentários:
Ô mãe... chorei.
Desejo tudo isso em dobro pros nossos menininhos.
Que bom que você é minha mãe.
Tô contigo e não abro, Ana. Esses dois tatuchos ainda terão consciência, um dia, da sorte de terem nascido teus netos!!
Um beijo grande, amor.
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