Metamorfose
Para que tudo aconteça é necessário acreditar
E antes de tudo ter fé na natureza.
Ao encontrar as perolazinhas nacaradas escondidas sob as folhas,
O sábio antevê o futuro num vôo leve e colorido.
Mas é preciso sabedoria para suportar, com resignação,
A lagarta no seu palmo a palmo e seu voraz apetite
Para trocar as peles do seu crescimento.
E eis então que um dia ela se recolhe sobre si mesma
E não é em vão que sua pele endurece.
Mas não é para repouso que constrói seu casulo,
E sim para total recolhimento.
Mudar requer tempo.
E a crisálida é agora seu castelo,
A fortaleza onde, em fios de seda,
A mesma essência se transmuta em novo ser.
Fechado, em profunda concentração e total paciência,
Aquele que apenas é,
Permite que se tracem nele os planos ancestrais.
No momento certo, do dia certo, a pupa se rompe
E dela eclode a maravilha!
Cheia de vida a borboleta expande as asas e, num impulso,
Sobe aos ares, livre para bailar.
Pousará sobre as flores e apenas sorverá seu néctar.
Porque a liberdade, definitivamente, a preenche.
Ana Lara.
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