terça-feira, 25 de novembro de 2008

Linhas de transformação

Metamorfose


Para que tudo aconteça é necessário acreditar

E antes de tudo ter fé na natureza.


Ao encontrar as perolazinhas nacaradas escondidas sob as folhas,

O sábio antevê o futuro num vôo leve e colorido.


Mas é preciso sabedoria para suportar, com resignação,

A lagarta no seu palmo a palmo e seu voraz apetite

Para trocar as peles do seu crescimento.


E eis então que um dia ela se recolhe sobre si mesma

E não é em vão que sua pele endurece.


Mas não é para repouso que constrói seu casulo,

E sim para total recolhimento.


Mudar requer tempo.

E a crisálida é agora seu castelo,

A fortaleza onde, em fios de seda,

A mesma essência se transmuta em novo ser.


Fechado, em profunda concentração e total paciência,

Aquele que apenas é,

Permite que se tracem nele os planos ancestrais.


No momento certo, do dia certo, a pupa se rompe

E dela eclode a maravilha!


Cheia de vida a borboleta expande as asas e, num impulso,

Sobe aos ares, livre para bailar.

Pousará sobre as flores e apenas sorverá seu néctar.

Porque a liberdade, definitivamente, a preenche.


Ana Lara.




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